Guillem
Trabal, guarda-redes catalão do Benfica, está emocionado com a
experiência do campeonato português e conta tudo a Record.
RECORD – Depois de muitos anos em Espanha, qual tem sido a sensação de jogar no campeonato português?
GUILLEM
TRABAL – Tem sido uma experiência muito positiva. Estar numa prova
competitiva é sempre muito bom, com quatro equipas em luta acesa pelo
título. Em Espanha, o Barcelona ganha sempre, detendo em relação ao
segundo classificado mais de 20 pontos. Depois, o Benfica é um clube que
move multidões, pois sempre que a equipa tem uma deslocação os
pavilhões ficam cheios. Há muitos benfiquistas espalhados por todo o
país. Em Espanha, é tudo diferente. Os adeptos estão confinados aos
jogos em casa e, depois, ficamos sozinhos. Aqui temos os aficionados
sempre por perto.
R – Temos em Portugal um campeonato muito competitivo, mas é a Espanha que ganha tudo ao nível internacional. Porquê?
GT
– Essa pergunta não sei responder. Até em Espanha se questiona como é
que nos últimos anos temos sido superiores a Portugal ou, mesmo, à
Argentina, países com grandes jogadores e tradição. Mas o que é certo é
que tem sido a Espanha a conquistar os Mundiais e os Europeus. É certo
que temos uma excelente equipa, que se conhece há muito tempo, mas a
diferença não é assim tão grande. Tanto Portugal como a Argentina têm
qualidade para chegar aos títulos.
R – E como tem sido a sua adaptação ao Benfica e a Lisboa?
GT
– Foi melhor do que esperava. Sempre pensei que poderia ser difícil
ingressar num clube de uma grande cidade. Mas a qualidade humana das
pessoas que estão no Benfica fazem com que eu me sinta parte desta casa.
É como uma família de acolhimento. Vim com a minha namorada e também
ela está a gostar.
R – Tem vivido quase toda a vida na Catalunha. Quais têm sido as sensações de viver em Portugal?
GT
– Também me sinto muito bem, porque é uma nação parecida com a minha. A
língua é similar e posso ler os jornais com facilidade, pois compreendo
o português. Não há grandes diferenças culturais. E até o clima é
similar. Todos estes fatores facilitaram a minha integração.
R – Em Espanha, pela seleção e pelo Reus, ganhou quase tudo.Os objetivos continuam elevados?
GT
– OBenfica quando entra em campo é sempre para ganhar. Por isso,
queremos conquistar a Supertaça, a Taça de Portugal, o campeonato e a
Liga Europeia. Quem joga aqui é para ganhar tudo. É um clube que tem
condições e aposta em equipas ganhadoras. Não devem existir muitos mais
clubes que apoiem tanto dos seus atletas. Talvez o Barcelona se possa
equiparar. Os jogadores têm todas as condições, sendo-lhes
disponibilizadas boas equipas médicas, nutricionista, psicólogo,
preparador físico e técnicos. São fatores que podem marcar a diferença.
R
– Sendo sensível ao ambiente onde vive, como vai ser o reencontro com o
Reus no acesso à Final 4 da Liga Europeia este fim de semana?
GT
– Vai ser algo muito emocionante, pois o Reus foi durante muito tempo
como a minha segunda casa. Vou aproveitar para desfrutar da ocasião,
reencontrando pessoas que me foram muito queridas, como uma outra
família onde me senti igualmente bem.
A competitividade é boa, com quatro equipas em luta pelo título. Em Espanha, ganha sempre o Barcelona
Guillem Trabal
R – Gostaria de jogar a Final 4 da Liga Europeia na Luz?
GT
– Qualquer equipa prefere jogar em casa, pois é mais um ponto a favor.
OPavilhão da Luz será o palco ideal para vencer a Final 4. Mas até lá,
ainda teremos de ultrapassar o Reus. Não vai ser fácil.
R – Como chegou à prática do hóquei em patins?
GT
– Na localidade em que nasci, Les Masies de Voltregá, respira-se o
hóquei em patins. É como se passasse a viver numa aldeia dedicada à
modalidade. Com toda a naturalidade, as crianças praticam o hóquei,
desde tenra idade. Nem eu escapei. Influenciado pelo meu pai, comecei a
patinar desde os meus três anos. E fui ficando.
R – É adepto de outros desportos e de outros clubes?
GT
– Sim, claro. Gosto de todas as modalidades coletivas, como futebol,
basquetebol, andebol e voleibol. Mas também de desportos de motor, o
ténis e o padel. Sou adepto do Barcelona, mas sem ser fanático.
R – É um adepto do Barcelona e da Catalunha? Gostaria que fosse independente da Espanha?
GT
– Tenho um sentimento muito forte para com a Catalunha e o seu povo,
pelo que gostaria que se tornasse um país independente de Espanha. Mas,
com todo o respeito pela Espanha. É um processo complicado, mas
inevitável.
Fonte: Record