Depois dos anos de ouro, Federação quer relançar projetos
Pedro Alves levanta o troféu alusivo ao último título mundial em 2003.
Se
em Portugal há modalidade cheia de história, de títulos mundiais e
europeus, é o hóquei em patins. E boa parte da colheita foi iniciada nos
finais dos anos 40, altura em que a Seleção Nacional dava cartas e onde
era difícil esquecer nomes como Olivério Serpa, Jesus Correia, António
Raio, Emídio Pinto e Correia dos Santos.
Além do enorme
talento para o desporto, esta mão-cheia de jogadores fazia a diferença
para os adversários pela facilidade com que patinavam. Era tudo muito
simples e eficaz. E como a prática de outros desportos, como o futebol e
o ténis, ajudavam à destreza e faziam apelo à garra e determinação,
Portugal começou a construir nos anos 40 um pequeno império.
Guerra
Para
esta realidade muito contribuiu um fator externo: a 2.ª Guerra Mundial
(1939-1945). Portugal era um país neutral e, por essa razão, não esteve
envolvido, ao contrário, por exemplo, da Inglaterra, que vencera as
primeiras edições do Campeonato do Mundo.
“Só em Inglaterra
havia 8 mil rinques de patinagem, que ficaram totalmente destruídos com
os bombardeamentos. A patinagem era uma modalidade de eleição em
Inglaterra e com a guerra deixou de haver competição. O domínio de
Portugal e de Espanha começa a manifestar-se com o fim da guerra”, diz a
Record Luís Gouveia, secretário técnico da Federação Portuguesa de
Patinagem há duas décadas e historiador da modalidade.
Política
O
primeiro dos 15 títulos mundiais de Portugal foi conquistado em Lisboa,
em 1947, e logo no ano seguinte, a Seleção Nacional evidenciou toda a
sua qualidade em Montreaux, bisando.
Foi
nessa altura que algo mudou no hóquei em patins em Portugal. Nada que
tenha a ver com as condições de jogo (os encontros eram disputados
muitas vezes em rinques descobertos), mas com o reconhecimento político
do antigo regime.
“Salazar foi o primeiro a compreender a
grandeza do futebol e dos títulos do hóquei em patins, que tinham uma
expressão popular nunca vista”, adiantou Luís Gouveia, que recordou
alguns episódios interessantes: “Quando íamos competir a Espanha e
França, os jogadores levavam o farnel, vinho e sandes. Depois passaram a
viajar de avião e a ser recebidos pelo Chefe do Estado.”
A
tradição do hóquei manteve-se. Houve fases muito boas, outras menos
boas, mas a verdade é que a modalidade resiste e espreita ambiciosos
desafios para dar sequência ao último título mundial em 2003.
SABIA QUE...
»
Em Lourenço Marques foi construído um rinque, em 1904, no Teatro
Varietá, onde Germano Magalhães se iniciou na prática da modalidade.
Mais tarde viria para Portugal dinamizando o ensino;
» Em 1908 já se patinava no Colégio Militar, na Escola Académica e ainda numa garagem na Rua Alexandre Herculano;
» Os Recreios Desportivos da Amadora venceram o Clube de Desportos do Benfica, por 2-0, em 1912;
»
Cosme Damião, um dos fundadores do Benfica, mandou vir de França, em
1916, um livro sobre as regras do hóquei em patins, traduzido por
Guilherme Pinto Basto;
Fonte: Record